OBSTÁCULOS À EXPANSÃO DE CONSCIÊNCIA (“) “QUERER TER”. UMA DOENÇA PSICOEMOCIONAL QUE AFETA QUASE TODOS OS HUMANOS.

Quando o que temos não é compatível com o que desejamos…

… e o que desejamos não concorda com o que temos, como se nunca coincidísse “o ter” com a satisfação.

Está é a segunda doença psicoemocional que bloqueia a experiência da consciência: “querer ter”.

Querer ter é querer segurança, é não querer confiar, é negar-se à espontaneidade. Querer ter é querer acumular para que hajam reservas que garantam a segurança. Querer ter de tudo é protegemo-nos antes do desastre psicoemocional de não ter nada que seja seguro e permanente em nenhum momento da vida.

Ainda que tenhamos de tudo, queremos sempre ter mais seja saúde, vitalidade, amor, dinheiro, longevidade ou o que seja.

Qualquer ser vivo não tem mais do que a sua vida, e assim tem tudo, mas não tem nada acumulado, não tem suporte além da própria inteligência e a vida que possui, tem abertura a tudo, espontaneidade e grande atenção, não precisa de uma conta bancária muito grande, nem aposentadoria, nem segurança social.

Um ser vivo que aprecia a insegurança com o poder da vida, move-se naturalmente assumindo cada momento como único, novo e diferente.

A vida é insegurança em estado puro, fresca e surpreendente porque não existe a segurança. É por isso que querer ter é um mecanismo macabro do inconsciente que quer perpetuar a intranquilidade e a inseguridade. Querer ter alivia a insegurança mas anula a criatividade.

Nunca pode-se ter nada porque tudo é inseguro. Inclusive a vida. Em qualquer momento arrebata-nos o que temos cuidado durante tantos anos. Ter é uma ilusão, produz uma sensação de suporte, mas no fundo produz medo de perder o que temos.

A consciência desperta quando acreditam e apercebem-se que tudo o que têm é emprestado, e que tudo tem de ser devolvido, que nada é de ninguém, que não existem títulos de propriedade porque só são promessas transitórias.

A insegurança é liberdade no estado puro e inocente. Querer ter é um grande vício, é uma das escravidões humanas porque produz uma segurança que não existe. A segurança é uma realidade existencial que tem que assumir todos os seres vivos. O ser humano, a raiz da sua consciência tem a possibilidade de sentir de forma mais profunda os afetos da insegurança, é por isso que ficas obcecado com a procura da segurança.

O problema não está em acreditar que ter produz segurança, mas em acreditar que podes ter alguma coisa. A consciência sabe que não tem nada, e por sua vez tem tudo, porque antes de cada momento em que a existência move alguma coisa do seu lugar, está a tirar e a dar ao mesmo tempo, está a emprestar e a recuperar, está a pedir e a devolver. Antes disso surge uma atitude energética inerente a todos os seres vivos que o prepara para enfrentar as mudanças com um gesto de gratidão.

Tudo o que acreditamos ter disfrutámo-lo como parte do jogo da ilusão, mas não pretende-mos que nos traga segurança, porque não existe.

Alberto Varela

portugal@innermastery.es

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