QUAL É A ORIGEM? (2ª parte) Indo à raiz daquilo que queremos que acabe

NO RECOMIENDO LEER ESTE ARTÍCULO a quienes de verdad no quieran ver o no quieran encontrar lo que les hace sufrir.

Escrever mete-me em problemas. Tenho recebido mensagens privadas de leitores que demonstram que o post que publiquei há uns dias, com a primeira parte de “Qual a Origem?”, abriu muitas portas e janelas, pelas quais estão a entrar muita luz de compreensão e muito vento de sanação. Para algumas pessoas, o evento é como um ciclone que lhe dá a volta a tudo, ainda que achassem que tinham as suas ideias bem organizadas.

Outras pessoas consideram que lhes foi aberto um caminho direto ao que procuravam mas a luz que os incandescia era tão forte, que tinham de fechar os olhos.

Muitos comentários chegaram até mim e todos convergem em um mesmo ponto: acabo de me meter num grande problema por querer tocar aspetos tão profundos e sensíveis. Esta situação obriga-me a continuar a expor a minha compreensão acerca destes assuntos internos relacionados com a sanação do ser humano. Algumas pessoas dizem mesmo: “Chegaste tão fundo, agora terás de continuar”.

Quanto mais fundo me meta, pior será a agravante do meu problema mas estou pronto a continuar até que existam suficientes palavras, reflexões e energia para que este globo expluda de uma grande compreensão tanto minha, como dos meus leitores.

Na primeira parte, expus uma série de ideias que parecem inofensivas mas são, na verdade, um autêntico perigo para os que querem permanecer iguais. Isto mesmo foi-me relembrado por um psicólogo e psicoterapeuta que lê tudo o que escrevo e é para mim uma grande fonte de inspiração pela sua inteligência e abertura. Em apenas alguns minutos de conversa, começaram a chegar mais e mais ideias acerca dos pontos que não devemos esquecer, no caminho de evolução interior até à sanação. Ele ligou-me para fazer-me algumas perguntas que se resumem em uma só: “O que me está a acontecer e porque me está a acontecer agora?”. Não é necessário que nos debrucemos acerca dos detalhes do que me contou mas daqui, surgiram várias respostas.

A sanação tem um aspeto meramente existencial e espiritual que não se relaciona especificamente com os traumas experimentados ou as feridas do passado, mas sim com a capacidade de compreensão da nossa existência. A reconciliação com a origem depende de eu saber de onde venho, onde vou, compreender porque existo, porque sou como sou e porque estou aqui.

Tudo isto se relaciona com a pergunta do meu magnífico leitor: O que me está a acontecer e porque agora?

Tudo o que nos acontece está intimamente relacionado com o facto de estar dentro de um processo de evolução de consciência que nos leva inevitavelmente à sanação.

Há pessoas que pela sua grande capacidade de assimilação e compreensão de conceitos, criam uma realidade virtual de si mesmos, como se construíssem um lugar onde acreditam estar ou ao qual pensam terem chegado através dos livros, workshops, etc.. De repente, acontece algo que não esperavam e que expõe por completo a sua situação real ao confrontá-los com o facto de que esse lugar onde acreditavam estar, não passa de uma fantasia. Agora é necessário reconhecer. Não há outra opção se não há intenção de continuar no mesmo ciclo de repetições que trazem sofrimento.

Estas pessoas que são capazes de compreender que tudo é um sonho, que a existência é um jogo em que o que vemos é uma ilusão, são pessoas que geralmente têm bastantes assuntos para resolver. Por alguma razão, ainda não puderam utilizar resolver estes assuntos e por isso utilizam a compreensão espiritual para refugiar-se da dor que lhes poderia causar o acesso a esses assuntos não resolvidos. Neste sentido, a compreensão do sonho e da ilusão poderá fazer com que sejamos indulgentes connosco mesmos. Entender alguns aspetos da existência e da espiritualidade poderá resultar num acto evasivo para não aceder ao núcleo da dor que por sua vez, esconde a origem do porquê continuarmos a recriar-nos uma e outra vez na mesma pessoa.

Quando não conhecemos o verdadeiro Amor, tornamo-nos indignos de Amor; sentimos que merecemos o pior e que o melhor, não é para nós. É aí que se desencadeia uma tormenta interior e isto acontece-nos desde criança que deparados com tanto descontrolo emocional e sensações desagradáveis, o único que podemos fazer é controlar, esquecer, observar e distrairmo-nos.

É por isso que, neste mundo, existem tantas coisas criadas para distrair o ser humano, para que não se recorde do desastre do qual provém. A diversão e a distração movem um grande negócio mundial, que serve para que as pessoas permaneçam iguais sem que se deem de conta de que ninguém os amava.

Recordar isso seria trágico para a humanidade? Muito mais trágico é esconder isto mesmo no inconsciente porque é a partir deste que surgem as condutas autodestrutivas. É através deste ocultamento que surgem os infinitos mecanismos de inteligência própria que se ativam nos precisos momentos cruciais para que tudo permaneça igual; são estratégias programadas pelo inconsciente para que não possamos sair daquilo a que os nossos mestres denominam a roda do erro; que para mim é na verdade, a roda do horror. Qual é o sentido de continuarmos a recriar os nossos traumas? Porque continuamos a atrair situações que nos envolvem na dor das nossas feridas?

De onde provém o impulso de nos causar dano inconscientemente?

Recuperar a memória da trágica realidade de não termos sido amados, abre-nos à possibilidade de fazer terapia, sanar a ferida primordial, apoiarmo-nos uns aos outros e compreendermo-nos, predispõe-nos a procurar uma solução. Por isso sinto, que à medida que aumenta a consciência humana, o mundo inteiro vai-se preparando para esta terapia.

Não há outra opção se queremos resolver os problemas desde a raiz. No entanto, é um tipo de terapia totalmente nova, original e desconhecida.

Posso comprová-lo em tanta gente que vejo em tantos retiros que organizámos e aqueles a que assisto, a grande necessidade de fazer terapia. Talvez esse seja o motivo principal do porquê de cada vez mais pessoas virem aos nossos retiros. Estes são orientados para o aprofundamento de cada um, através de processos psicoterapêuticos que prontifiquem a dar um grande salto interior. Estamos a criar este tipo de terapia porque nos permite chegar à raiz do problema.

A não experiência de amor, ou a experiência de um amor falso, é a fonte de toda a adição, todo o sofrimento, todo o desequilíbrio e toda a desarmonia. É por isso que ao construir uma identidade ou personagem que aceita a rejeição ou a indignidade, constroem-se todo o tipo de mecanismos que se ocuparão de reproduzir a mesma canção toda a vida. Uma e outra vez, ouvir-se-á o mesmo: Não valho; não sirvo; não sou digno; não o mereço; o bom e o melhor, não são para mim…Com uma música tétrica de fundo e uma voz em off que se repete por um caminho de suicídio.

É tao obvio que se o que nos acontece, não coincide com o que merecemos, é porque ainda não atingimos o perdão, a valoração e a liberdade de toda a culpa ou sentimento de indignidade. Se diante de qualquer coisa que te aconteça e te faça sofrer, consegues dizer: “Isto não é para mim porque não o mereço”, então não permitirás nunca mais que te magoem. Se ainda te magoas a ti mesmo, ainda não sabes o que vales.

A minha resposta espontânea a este homem que me chamou hoje foi: “AINDA NÃO DESCOBRISTE O QUE VALES. AINDA NÃO RECUPERASTE A DIGNIDADE. AINDA NÃO TE AMAS”

Ele respondeu-me: “Agora, dei-me conta que pude amar a outros na mesma medida em que me amava a mim”

Eu respondo: “Toda a conduta repetitiva é um ato de reafirmação de algum pensamento que se instalou. Ainda és adicto ao castigo e ao set de ferramentas macabras que criaste e utilizas na perfeição para te torturares. É admirável todo o set de ferramentas de autotortura inconscientes” Os dois rimo-nos, a expressão é muito confrontadora mas também muito cómica porque desnuda essa atitude absurda que adquirimos para seguir na mesma merda de sempre.

Deixámos que nos maltratem, permitimos que nos humilhem, aceitamos que nos traiam, apoiamos a quem nos mente ou rejeita, seguimos a quem nos leva ao precipício da incompreensão. Que estamos a fazer?

A presença e a ausência do amor, buscando a raiz de um conflito existencial

No início deste texto, disse que a sanação possui aspetos meramente existenciais e espirituais que não se relacionam com os traumas experimentados ou feridas do passado, mas sim com a compreensão de aspetos existenciais por forma a encontrar a paz e a harmonia no nosso coração. Mas… Porque nos acontece o que nos acontece?

Embora pareça que a ausência de amor possua uma dimensão psicoemocional, considerada uma ferida do passado ou um trauma que deve ser tratado do ponto de vista psicoterapêutico, eu acredito que problemas de carência de amor possuem uma dimensão existencial, cuja raiz é espiritual dando origem ao conflito existencial. Este conflito não poderá ser solucionado com terapias, embora estas nos possam preparar para o salto da grande compreensão. Estas permitirão que a pessoa se coloque no ponto exato desde o qual deverá dar o salto, rumo à sanação.

O desamor é a experiência mais profunda a compreender. É necessário compreender que vimos do amor e vamos para o Amor, que tudo está feito para o Amor e que entretanto, pelo meio, teremos de viver a falta dele de várias formas e em muitos momentos desde criança.

As experiências de rejeição, humilhação, juízo, abandono, maltrato, traição, abuso e repressão, geram um registo de desamor que se silencia no fundo de cada ser humano. Esse lugar profundo dá origem ao conflito existencial de grande calibre e é tao complexo que não pode ser visto com claridade por uma mente que não tem recursos para ir mais além do que os olhos vêem. Transcender este conflito depende da evolução interior resultante das terapias e da espiritualidade de forma integrada e complementaria com foco no mesmo objetivo: A sanação da alma – que poderá ser definida como A RECONCILIAÇÃO COM A EXISTÊNCIA.

Podemos perguntar-nos eternamente: Porque me tinha de acontecer isto a mim? Com esta pergunta poderás recorrer a horas a fio de terapias, poderás injetar litros de Ayahuasca, poderás torna-te um discípulo devoto e fazer sacrifícios inabaláveis mas a pergunta permanecerá no teu inconsciente. A mente dar-te-á respostas superficiais, mas o teu coração não o compreenderá de verdade. Na melhor das hipóteses, a razão vai motivar-te a procurar ajuda mas não farás mais que enganar-te a ti mesmo. A tua alma conhece a sensação de incompreensão que continua presente. Poderá acontecer-te como a mim, que alcancei o amor, experimentei-o de várias formas e com muitas pessoas, com diferentes tipos de vínculo e com isso aliviar a dor. Logo perceberás que vivemos num mundo onde as coisas são criadas para esse propósito – substituir a falta de amor. Existem milhares de pessoas que perante este desastre, lançam-se numa vida superficial, cheia de distrações e evasões trágicas, tortuosas e muitas vezes, dirigidas ao suicídio.

Que estranho e contraditório que o amor tenha criado tudo e que seja a força criativa mais poderosa e, por outro lado, nos tenha colocado num espaço virtual onde sentir a sua ausência. Desta forma, condenamo-nos na sua busca, escravizámo-nos para alcança-lo como se nos tivessem largado numa bolha existencial separados do amor com a ambição do reencontro com a criatividade.

Reconheço a inspiração de estar agora mesmo, na Euro Disney com as minhas filhas de 8 e 13 anos, Amelys e Anahí. Elas estão felizes de aqui estar. Paula e eu observámo-las e fazemos de tudo para que saibam o quanto as amamos. Sou consciente de ao faze-lo estou a atenuar o conflito existencial de cada uma. Vejo tantas coisas bonitas aqui, é espetacular, uma paisagem preciosa cheia de diversão e distrações. Tenho de admitir o quanto observo as pessoas com todas as distrações e que parecem possuir no seu íntimo o trauma original que se relaciona com a ausência ou carência de Amor.

Parece mentira que não possamos experimentar e conhecer a nossa própria essência: O Amor. Alem disso, os débeis registos de amor que temos são na sua maioria de um amor distorcido, carregado de manipulação e chantagem; amor em minúsculas que depende de cuidados, presentes, sobreproteção e bens-materiais. Enfim, um amor que gera divida, que nos escraviza e aumenta, ainda mais, o conflito.

Ser AMOR mas não viver desde o AMOR, é algo que podemos chegar a compreender, integrá-lo e convertendo uma energia que pode transformar-nos desde a raiz.

A minha mãe dizia-me quando era pequeno: És um inventor. Estou a usar esse talento para as palavras e ideias para que se transformem em compreensão.

É possível que não possamos pintar grandes quadros, escrever textos magníficos, compor canções preciosas ou esculpir esculturas majestosas. No entanto, se aproveitarmos essa energia criativa que todos possuímos, seremos capazes de construir um caminho personalizado e original, rumo à sanação individual. Alcançar a sanação do Ser, é a verdadeira obra de mestre, ser verdadeiro consigo mesmo e ser o acto criativo por excelência.

Agora é o momento de confrontarmos este conflito existencial de não saber quem somos, qual a nossa essência, de ter esquecido de onde viemos e onde vamos.

Deixo-o para o próximo artigo.

Alberto José Varela.

nosoy@albertojosevarela.com

 

 

 

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